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Living in YYC: Hiking no inverno em Calgary por Patrícia S.

No momento de escolher qual cidade morar no Canadá, as possiblidades de atividades ao ar livre em Calgary pesaram na minha decisão e a proximidade com as montanhas rochosas foi um fator determinante.

Antes de imigrar tive a oportunidade de fazer uma viagem exploratória e uma das razões de ter escolhido Calgary (e não Edmonton) foi justamente a facilidade que Calgary oferece de estar menos de uma hora de carro de Kananaskis Country.

Sim, são milhares de trilhas nos famosos Parques Nacionais de Banff e Jasper, mas em pouco tempo aqui já percebi que os locais gostam de praticar hiking em Kananaskis. Curta distância, menos turístico e trilhas maravilhosas com todos os níveis de dificuldade são os motivos principais dessa preferência na minha opinião.

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Amanhecer em Kananaskis Country. Chegar cedo no inverno é muito importante!

Existem muitas dicas específicas para o hiking nas montanhas, sobre o frio, avalanches, e até sobre possíveis encontros com animais selvagens. Por isso, a principal recomendação é: Nunca vá para um hiking sozinho(a)!

Certo, mas como fazer então se você acabou de chegar e não conhece ninguém? Aqui vou passar a dica que usei: entrei no Meetup!

Existem vários grupos de pessoas com interesses comuns que se encontram através deste website. Aqui em Calgary para hiking existem vários, mas eu recomendo o Slow and Steady Hikers.

Em todos hikings que participei os organizadores foram muito responsáveis e todos do grupo muito amigáveis comigo. A principal vantagem desse grupo é que pelo nome você já sabe que não é o estilo de quem gosta de sair correndo e só chegar ao final rápido.

Mas atenção, é preciso saber das suas próprias limitações quando for escolher as trilhas. Na descrição dos eventos sempre terá a indicação T1, T2, T3... O “T” indica trail e o nível 1 é o mais fácil. Um exemplo de trilha nível T2 seria um caminho de 13km com 350m de ganho de altitude. Todas as especificações estão no website.

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Trilha no inverno= neve, muita neve! Essa é uma trilha T2.

No inverno a minha dica é: diminua um nível. Se em condições normais você cansa, mas consegue uma T3, pense que quando estiver -18°C, nevando e você estiver com várias camadas de roupa o desafio será maior. Comece devagar e vá subindo os níveis conforme sua adaptabilidade.

Abaixo vão minhas sugestões que considero importantes para um hiking nível T2/T3 nestas condições de frio:

Roupas adequadas: Use camadas! Isso é senso comum, mas é bom ressaltar. Use uma primeira camada térmica, mas que permita transpirar! Suar e depois esse suor congelar na sua pele não é nada agradável! Em seguida uma camada quentinha e por fim uma camada protetora, se for “corta-vento” melhor. No meio da trilha é bem provável que você precise tirar essa camada do meio quando começar a esquentar, então é bom deixar um espaço extra na mochila. Nos pés, meias de lã ou tecido sintético, nunca algodão! Algodão quando molhado demora muito para secar. Calçado: botas de neve impermeáveis.

Microspikes: Hiking por aqui de novembro a junho significa que são grandes as chances de as trilhas estarem cobertas de gelo/neve. Hiking de janeiro a abril significa certeza. Microspikes são estruturas metálicas que colocamos na sola dos calçados, e são itens de segurança fundamentais para evitar quedas. Dependendo da quantidade de neve, precisamos usar snowshoes que impedem que o seu pé afunde na neve.

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Demonstração de microspikes na minha sacada!

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Snowshoes em ação!

Hand/Toe Warmer: Sempre levo e precisei usar o “aquecedor de mãos” uma vez. São produtos que conseguem aquecer suas mãos e dedos por várias horas e funcionam por oxidação exotérmica. É algo muito útil, esquenta mesmo e na internet tem vários sites explicando os detalhes técnicos de como funciona. São descartáveis, mas com preço acessível (menos de CAD$2 cada).

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São pequenos e leves, fácil de levar na mochila.

Emergency blanket: Cobertor de alumínio que é a prova de vento e água. Serve para casos de hipotermia. Muito importante com os rios/lagos congelados! Muitas vezes a camada de gelo não é grossa o suficiente e o gelo acaba quebrando. Se estiver com dúvida, não suba.

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Lago congelado. Lindo, mas perigoso!

Acessórios: Touca e luvas são os básicos. Nas luvas recomendo as do tipo “mitten” que são as luvas que não possuem separação entre os dedos e assim eles ficam bem mais quentinhos.

Poles: muitas pessoas dispensam, mas eu gosto muito de usar estes bastões. Acho que eles ajudam no equilíbrio e quando está tudo coberto de neve gosto de usá-los para averiguar o terreno.

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No primeiro hiking aqui aluguei os equipamentos, agora já tenho os meus próprios poles.

Bear Spray: Ahhhh os ursos, fofinhos, mas são animais selvagens perigosos. No auge no inverno a chance de encontrar com um urso é baixa, mas no final de março alguns já começam a sair da hibernação. Muito importante ler atentamente o rótulo para saber usar o spray corretamente, caso seja necessário. E aqui também é bom ressaltar a importância de nunca ir fazer a trilha sozinho(a), a chance de um ataque diminui bruscamente quando se está em um grupo de mais de 4 pessoas. Obs: eu não sabia disso, e em 2014 completamente amadora fiquei cara-a-cara sozinha com um urso em uma trilha nos EUA.

Mochila: Roupa seca extra, principalmente meias. Água (pelo menos 2 litros) e comida de acordo com o tempo de trilha. Acho sempre uma boa ideia usar garrafas térmicas e levar uma bebida quente. Na mochila sempre bom também ter um kit médico básico de primeiros socorros, medicação pessoal, uma lanterna (os dias são curtos no inverno e qualquer imprevisto na trilha significa voltar no escuro já), lenços e qualquer outro objeto pessoal que achar necessário, no meu caso são: câmera fotográfica, celular e bateria extra.

Acho que com essas informações é possível cobrir o “básico do básico” sobre hiking no inverno canadense. O objetivo é ser um post introdutório mesmo.

Quero agradecer a Mari por ter me convidado para escrever aqui, sou leitora desde que morava no Brasil e esse blog possui informações valiosas que me ajudaram muito! E se vocês gostarem posso voltar com dicas específicas com descrição de trilhas e mencionar as minhas preferidas.


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Por lá eu escrevo várias dicas sobre a cidade de Calgary, AB, Canadá, onde eu moro atualmente e outras dicas sobre o Canadá. E se você gostou desse post, não deixe de compartilhar.

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Até o próximo!