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Em defesa da minha sanidade mental - Projeto Mães no Canadá: Julho 2019

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Eu estava ansiosa para escrever esse post pra vocês - Inclusive, eu vou falar sobre o assunto nos stories lá do blog - se você não me segue, essa é a sua chance de ir lá e ficar por dentro de várias coisas que rolam aqui em Calgary e na nossa vida como imigrantes - @marianadayblog.

Então...

Em defesa da sanidade materna eu... PRECISO ENCONTRAR UM TEMPO PRA MIM.

Foram muitos dias, muitas noites, muito choro, desespero e reclamações durante o primeiro ano de vida da Beatrice. Eu levei muito tempo para me reencontrar e quando me reencontrei, eu não era a mesma pessoa.

Eu tentei de tudo para poder voltar pra mim mesma, me amar, me olhar, me cuidar. E isso é extremamente difícil quando tu só consegue viver para outra pessoa. Acredito que todas as mamães vão se identificar com essa situação.

Nunca me disseram que seria assim depois que ela nascesse. Era sempre o clássico "aproveita porque depois não da pra dormir"; "não consegue mais se arrumar direito"; "não faz mais nada sozinha".

Nunca me disseram que eu me perderia dentro da pessoa que eu sempre fui, que eu não me reconheceria no espelho como mulher, como filha, como amiga, como esposa. Nunca me disseram que iriam ter dias que eu ia preferir não ter a maternidade na minha vida. Nunca me disseram que a gente sente culpa até de ir ao banheiro enquanto aquele ser minúsculo chora na sala.

Nunca. Me. Disseram.

A realidade e a expectativa são coisas completamente diferentes. E eu precisei de um tempo pra me encontrar de novo. Eu tive ajuda de várias pessoas durante esse processo e eu quero contar um pouco pra vocês, em 10 pontos, quais foram as minhas ferramentas para me reencontrar e não perder a minha sanidade mental.

1. Sair de casa;
Assim, puro e simples - sair dos limites do meu apartamento. Descer para olhar as árvores balançando. Foi assim que eu comecei.

2. Encontrar as amigas para um café e conversar;
Parece super bobo, mas 15 minutos conversando sobre qual café eu ia tomar naquele momento já me ajudava absurdamente.

3. Fazer playdates semanais;
Eu tinha um grupo grande de mamães no qual eu fazia parte - inclusive falei sobre esse tipo de apoio durante a maternidade aqui - e nós nos encontrávamos quase toda semana. Cada uma levava um prato de comida, os bebês tudo pequeninhos no carseat e a gente podia só comer e dar risada entre uma conversa de peito cortado e bebê cagado.

4. Caminhadas;
Eu caminhava muito, apenas por caminhar. Eu tinha uma companheira que só dormia no carrinho quando eu fazia isso - eu precisava ver gente! Adultos! Pessoas! Minha amiga Lu foi minha grande companheira de 4 horas diárias de caminhadas, desbravamos esse downtown/inner citty de Calgary.

5. Exercícios físicos;
Voltei a me exercitar. Acordava às 5am e ia com a noite fechada pra aula de ballet fitness. Eu e a Lu, era nosso momento de olhar pra dentro. Eu não conseguia terminar nem a metade dos exercícios, mas eu ia todos os dias e amava. Era o meu momento.

6. Ligar pra família;
Confesso que ligar para minha irmã para falar sobre qualquer coisa me ajudou muito. Era um momento de distração daquele ciclo que não acabava nunca de choros, mama, troca de fraldas... era uma ótima pausa e me ajudava muito.

7. Seriados;
Eu sou a louca dos seriados, então a tv era um refúgio pra mim! Eu adorava. Claro que quando a Beatrice começou a ficar maior, precisava de atenção, então eu não conseguia ver muita coisa sem pausar toda hora. Mas depois que ela dormia a noite, esse era o meu programa preferido! Sentar na sala, jantar e ver um seriado com o Fernando. É tão bom que fazemos isso até hoje.

8. Falar sobre as minhas experiências;
O blog foi meu grande aliado nisso tudo e falar sobre as minhas experiências e poder ajudar outras mães a não se sentirem sozinhas no mundo, foi e é muito gratificante pra mim. E claro, ver que eu não estava sozinha nessa loucura toda me ajudou a prestar mais atenção em mim.

9. Sair SOZINHA;
Quando eu sai sozinha pela primeira vez foi libertador. A Beatrice tinha alguns dias e eu fui fazer as unhas. Eu comecei com um passo pequeno de cada vez, a cada semana eu fazia algo diferente. Quando ela completou 2 meses eu voltei a estudar inglês, 4x por semana das 6pm as 9pm. TRÊS horas por dia, inteiramente pra mim.

E foi muito legal. Eu morria de saudade dela, mas o Fernando foi meu maior incentivador e fez de tudo pra que eu me sentisse confortável e não tivesse nenhum stress.

Depois daí, foi só alegria. Até hoje, pelo menos 1x por semana eu saio sozinha, ou com as amigas ou só pra dar uma volta. Aos poucos eu fui me reconhecendo e conhecendo a Mariana mãe.

10. Voltar a trabalhar
Por fim, mas não menos importante: voltar a trabalhar e a Beatrice 8horas por dia no daycare. Se eu achei que sair sozinha fosse libertador, voltar a trabalhar foi surreal.

Eu tenho muita saudades do tempo em que éramos só nós duas "against the world" em casa, nas caminhadas. Mas a delícia que era chegar em casa e dar de cara com aquele sorriso feliz de me ver, não tinha preço.

Chega um momento da maternidade, que você não consegue mais suprir as necessidades do seu filho, principalmente as sociais. E voltar ao mercado de trabalho depois de quase 2 anos foi muito bom pra mim.

E o que eu faço hoje pra manter a sanidade mental? Tudo aquilo que eu acho que vai funcionar: desde fingir demência até me esconder no banheiro e chorar.

UM DIA DE CADA VEZ AMIGOS! Faria tudo de novo? Com certeza.


O projeto Mães no Canadá teve início em 2018 e acontece todo o dia 20 de cada mês. Somos 12 mães brasileiras falando sobre maternidade e a nossa visão sobre ela em diferentes cidades do Canadá.

Se você ainda não viu os outros posts do projeto, você consegue encontrá-los através da barra de pesquisa ou nas abas da página inicial do blog. Tem muito conteúdo legal, divertido e informativo.

Vocês ainda podem acompanhar as outras abordagens feitas pelas outras mamães que fazem parte desse projeto junto comigo:

Gaby (Toronto, ON) - Gaby no Canadá
Carol (Vancouver, BC) - Fala Maluca
Beatriz (Vancouver, BC) - Biba Cria
Livi (Toronto, ON) - Baianos no Pólo Norte
Alessandra Schneider (Bathurst, NB) - Canadiando
Amanda (Richmond, BC) - Viva Canada
Dani (Toronto, ON) - Vidal Norte


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Através das redes sociais eu tento mostrar um pouco mais sobre a vida aqui em Calgary e produzo bastante conteúdo legal e informativo sobre a cidade. E claro, se você gostou desse post, compartilhe!

Até o próximo!

Em defesa da minha sanidade mental - Projeto Mães no Canadá: Julho 2019