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Sobre gratidão e amizades

O Thanksgiving canadense - dia de Ação de Graças, é um dos feriados mais importantes na minha vida desde que eu me mudei pro Canadá, há quase quatro anos.

Se você não sabe o que é esse feriado, eu já escrevi dois posts sobre o assunto. Você pode conferir aqui e aqui.

Nos últimos dois posts que eu escrevi sobre o assunto, eu era uma pessoa completamente diferente do que eu sou hoje. Eu virei mãe, eu voltei a trabalhar, eu aprendi muita coisa nova e claro: eu me iludi muito confiando em pessoas que não mereciam a minha confiança.

Antes de mais nada, esse post não tem o objetivo de disseminar ódio ou disseminar qualquer discórdia. Quem me conhece sabe que isso vai contra qualquer coisa que eu acredite.

O meu objetivo com esse post é mostrar pra vocês uma realidade que muitas vezes vocês ai do outro lado não enxergam. Uma realidade que eu também não enxergava. Então hoje eu abro meu coração.

O thanksgiving de 2019 me fez refletir muito sobre todas as pessoas que já passaram na minha vida. Foram muitas. Muitas.

Quando você se torna um expatriado, a sua vida no início é como o primeiro episódio do Big Brother: você conhece pessoas novas, você encontra algumas afinidades (bem poucas muitas vezes), mas a principal coisa em comum é: estamos todos sozinhos em busca de uma vida melhor.

Então você acaba se aproximando de muita gente e todo mundo vira amigo, declarações em instagram, facebook, mensagens privadas de carinho são o que mais vai acontecer - "amigos que o Canadá me deu". Não. Amigos que o acaso e a solidão te deram.

Hoje eu olho pra trás pra tentar lembrar qual daqueles amigos lá do início ainda estão na minha vida: duas pessoas e esporadicamente.

Eu conheci muitas pessoas aqui pelo acaso, outras pelo blog. As do acaso me disseram para nunca criar uma página pra compartilhar conteúdo, porque afinal de contas "quem iria ter interesse no meu dia a dia em Calgary?".

Algumas que conheci pelo blog se mostraram muito gentis no início quando precisaram de mim, quando não entendiam como as coisas funcionavam aqui, quando precisavam de doações e de caronas. Mas no momento em que eu realmente precisei de alguém, essas pessoas sumiram porque estavam muito ocupadas com suas contas no instagram e youtube - mostrando Calgary por aí - dando minhas dicas sem nunca me dar o crédito.

Quem diria que teria tanta gente interessada no dia a dia de desconhecidos morando em Calgary.

Outras pessoas que o acaso me apresentou, são pessoas muito queridas até hoje. Mas que infelizmente não fazem parte da minha vida por incompatibilidades absolutas. De vida, de agenda, de coração. E eu não escrevo com mágoa no coração, é o jeito que a vida é. It is what it is.

Eu fui tão ingênua ao me relacionar com algumas pessoas nesse início de vida de expatriado, que na absoluta certeza de estar fazendo a coisa certa, eu acolhi uma pessoa dentro da minha casa por três meses. Uma pessoa querida, incrível, amiga. Era bom demais pra ser verdade. E eu tava certa.

Essa pessoa voltou pro Brasil e vários amigos que eram muito importantes naquele momento pra mim simplesmente se afastaram. Eu também nunca mais procurei, então também tenho uma parte de "culpa". Se é que ela existe né?

Imaginem a minha supresa quando eu fiquei sabendo que um desses amigos ficou sem falar comigo por um ano (oi?) porque eu falei mal da pessoa nas costas - porque a pessoa que eu acolhi na minha casa porque não tinha pra onde ir passava o dia disseminando ódio.

É, essas intrigas acontecem por aqui também. Eu nunca recebi o benefício da dúvida, nunca recebi o direito de explicar e de contar a minha verdade. Mas eu aprendi que isso diz mais sobre as pessoas do que sobre mim. Mais um aprendizado de expatriado.

A pessoa me mandou uma mensagem pedindo desculpas, que nunca tinha tido a intenção e que era muito grata por tudo que eu e meu marido havíamos feito por ela. Gente, socorro né! São dessas pessoas que a gente PRECISA fugir.

Fora isso, eu já encontrei gente meio maluca por aqui - já vieram no meu apartamento sem serem convidados e pegaram todas as roupinhas das Beatrice pra lavar em casa. Eu to rindo, mas de nervoso. Como alguém faz isso?

Em compensação, fui parada em uma esquina em Calgary, com uma barriga de 33 semanas de gravidez, com a minha irmã a tira colo, por uma pessoa falando que viu no meu stories onde eu andava e queria ir me ver - hoje essas pessoas são extremamente importantes na minha vida e são nossos melhores e mais leais amigos por aqui.

Uma das minhas amizades mais próximas foi indicação do médico de família da época. Outra no grupo de mães. Quem diria que essas seriam pessoas do meu círculo mais íntimo e que hoje eu não consigo imaginar a vida sem?

Outras pessoas vieram através do blog - onde criamos um grupo coisa mais linda e sempre saímos juntos e compartilhamos a vida, há mais de 2 anos. Pessoas do bem, que fazem de tudo para estar perto e presentes na minha vida. Que me fazem muito bem.

Então eu pergunto a vocês: como selecionamos essas pessoas e como sabemos que elas vão dar certo nas nossas vidas? Como sabemos que elas não são em vão?

Não sabemos meus amigos. Contamos com sorte.

Mas depois de um tempo, passamos a escolher quem fica e quem vai. É assim que a música toca pra gente dançar.

E hoje, eu tenho muito a agradecer por todas as pessoas que passaram na minha vida, eu aprendi muita coisa com elas. Eu aprendi principalmente a confiar mais nos meus instintos, eu aprendi a respirar e esperar até colocar alguém dentro da minha casa, da minha vida e na vida da minha família.

Eu aprendi que nem todo mundo tem boas intenções e que infelizmente algumas delas não fazem mais diferença.

Eu aprendi a respeitar a individualidade do outro que não quer ficar. Isso foi muito difícil de aprender, eu confesso.

Eu perdi uma das minhas melhores amigas em um acidente de carro há 10 anos atrás, eu perdi outra melhor amiga, uma irmã pra mim, pelas circunstâncias da vida e isso me dói até hoje. Mas hoje eu entendo e compreendo os motivos de algumas pessoas não quererem ficar. O principal de tudo é que eu aprendi que eu não preciso ficar quando a situação é insustentável.

Por isso eu sou grata. Por isso eu agradeço muito a vida e ao universo. Eu agradeço ao Canadá pela vida espetacular que eu tenho vivido, pelos amigos que passaram e principalmente por aqueles que escolheram ficar.

Eu agradeço muito aos amigos que fazem parte da minha vida de uma maneira tão linda e tão intensa. Aos amigos que estão aqui presentes. E aqueles que estão lá no Brasil e nos EUA sempre mandando oi, perguntando se estamos bem e compartilhando a vida conosco de alguma maneira.

Hoje eu deixo aqui o meu muito obrigada! Happy Thanksgiving!

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Até o próximo!

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